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domingo, 15 de janeiro de 2012

Ano-Novo, Vida Nova e... Meningite????????

E aí que todo final de ano eu fico super empolgada com as transformações que podem acontecer, já que na nossa vida (minha e do marido) cada ano traz enormes mudanças, desde 2009. Também assusta, porque nunca se sabe o que vai vir, mas eu prefiro não fazer listas de resolições de ano-novo porque prefiro deixar o curso seguir e planejar aos poucos com cada novidade. Sim, temos planos de longo prazo, mas não fazemos disso um planejamento estratégico do ano. Para o ano de 2011 a mudança maior foi a nossa ida pra Natal. Para 2012, ainda é a chegada do nosso segundo filhote (ansiedade total para saber quem estamos esperando...).
Mas eis que logo no comecinho de janeiro nos é revelada uma enorme surpresa, na verdade, pavorosa.
Viemos de Natal pro Rio em 22 de dezembro e na véspera, o David ficou doente. Como tinha febrão, sem sabermos o que era, levamos a uma emergência lá. A médica alegou amigdalite e receitou antibiótico. Na madrugada voamos pro Rio e ao chegar começamos com a medicação. No dia seguinte fui a médica dele aqui. Além de amigdalite, tinha um bronco-espasmo, que ele já teve e usa bombinha quando acontece. Ela mandou continuar o antibiótico, só ajustou a dose e receitou demais remédios. Até o dia 29/12. Em dois dis nada de febre, passou o Natal bem, acabou o remédio e veio o Reveillón.
Dia 04/01, o marido teve que voltar pro trabalho, em Natal. Claro que sentimos! Depois de seis meses sozinhos, só nós três, foi difícil a despedida, mas o David não entendia o que estava acontecendo.
Nesse mesmo dia fui com meus pais pra casa de praia deles. Mas sae quando a sua intuição fica ali, chamando e você não faz nada?? Eu não queria ir, não sei porque, mas não queria. Ele custou a dormir, estranhando a casa, e no dia seguinte, quinta, fomos  praia, estava um dia lindo.
David, brincou, comeu, dormiu, fomos embora, ele continuou brincando em casa depois do banho, pediu comida e de repente... disse que estava dodói. Perguntei onde e ele apontou a nuca! Eu não percebi nada, meu pai ficou de antenas ligadas e eu procurando uma picada de mosquito! Ele continuou reclamando e na hora de comer, não queria. Pediu colo, parecia ter sono, estava muito estranho. Levei pra sala, com ele no colo e depois de choramingar começou a vomitar o almoço! Muita coisa. Continuou caído, no meu colo depois de trocado e vomitou de novo. Liguei pra médica dele no Rio e ela achou que podia ser gastroenterite, pra dar Digesan, soro e gatorade aos poucos. Se permanecesse vomitando, ir ao hospital. Fui comprar tudo e demos pra ele. Já era mais de meia noite agora. Em 40 minutos, mais vômito. Sem diarréia. Enorme prostração.
Toda mãe sabe como é seu filho doente. Ele estava muito pior. Eu estava mesmo assustada porque nunca o vi assim, e pra piorar, tão rápido! Meu pai resolveu vir pro Rio aquela hora mesmo. Viemos e fomos direto pro hospital. Na emergência a primeira médica falou em insolação... ele nem ficou tanto tempo na praia ou no sol e estava bem! Como o Digesan ingetável não fez efeito e ele continuou vomitando na emergência mesmo tendo sido liberado, eu insisti e ela mandou ficar no soro. E eu ainda assustada, porque era pra ter melhorado... Veio outra médica e ra nossa sorte, filha de um amigo do meu pai, que nos reconheceu. Quando ela faz o teste da nuca... aí sim eu me apavorei: ele travou. Ela chamou depois de rigidez terminal. Veio outro médico pra testar também e foi a mesma coisa. Aí eu comecei a pensar em meningite, porque: dor na nuca, dor de cabeça, vômitos e febre... Ela pediu hemograma, RX tórax, Tomografia de Cabeça e a temida Punção Lombar. Dei de chorar.
Aquele dia na praia, eu li o post da Beatriz Bihari sobre a meningite que sua filha teve em Dezembro e pensei, não é possível!!!!!!!  Estava tudo acontecendo com o David, com meu bebê!!
Liguei pro meu marido e choramos os dois juntos. Fizeram exames, o sangue demonstrava infecção bacteriana, mas os de imagens estavam normais. Chegou a hora da punção. Como estou grávida, perguntaram se eu ia aguentar. Mas eu não podia sair do lado dele, ele só chorava e chamava por mim, super fraquinho. Me explicaram sobre a posição fetal super forçada em que iam manter ele e o quanto ele ia chorar. Foi muito pior.
Ele não podia me ver entre as técnicas de enfermagem segurando ele e eu tentava acalmá-lo falando que estava lá, mas ele gritava, suplicando socorro. Eu só chorava. Era demais ver o meu bebê assim. Crianças não deviam sofrer... A primeira tentativa não deu certo. A segunda também não. Ele estava exausto, estava com o rosto super inchado, parecia que tinha saído de um ringue de luta, com petéquias em volta do rosto, olho roxo, me pedindo ajuda. Abracei ele e chorei. Ele não tinha mais forças pra chorar. Os médicos disseram que teriam que sedá-lo. Em poucos minutos ele dormiu de roncar e eu chorava, mas sabia que precisava. Se eu soubesse o quanto ia demorar pra colher o líquor, eu teria pedido a sedação antes. Ele não teria deixado de jeito nenhum! Mesmo todo preso, ele sacudia o quadril, um tourinho!
Foi acordando da sedação aos poucos, meio grogue e veio a internação na UTI, que graças a Deus era um quartinho reservado, com TV e DVD. Ele começou a ver os desenhos do Discovery Kids e até sorriu de leve.
Eu estava exausta, não tinha dormido a noite anterior indo com ele pro hospital e estava completando 24h de corrida. Ele já estava no ATB e eu também tomei injeção pela gravidez. Dói horrores, mas precisava proteger o baby inside. Minha mãe dormiu a primeira noite e a minha sogra na segunda. Depois de 72h conseguimos vaga em quarto comum e ele foi transferido. Ele já não tinha mais febre e só tinha um pouco de dor de cabeça. Antes desse episódio ele NUNCA relatou dor de cabeça!!!
Os dias se passaram e ele ia melhorando, fazendo bagunça e ficando estressado no hospital.
Quando eu dormia com ele, ele ficava mais calmo. A alimentação ficou fraca, mas apetite ele tinha. Só não tinha disposição de comer. Conquistou todas as técnicas, enfermeiras, médicos e copeiras do hospital e era chamado de pequeno príncipe, por causa da semelhança com o personagem. Ele tratava todas bem, depois que o trauma do jaleco passou rs. Brincava, ria, falava muito com elas.
Ontem, a médica de rotina veio dizer que hoje teríamos alta. Fiquei super feliz. Hoje pela manhã ela veio pra nos liberar e foi um super alívio. Ele adorou vir pra casa da vovó e estar livre.
O laudo: Meningite Bacteriana Inespecífica. Não houve crescimento de bactérias na cultura no líquor, mas as características bioquímicas pareciam mais com bactéria do que vírus. A hipótese médica e que o vírus que atacou a garganta podia ser um meingococo qualquer e o ATB usado em dezembro não limpou completamente o organismo, o que levou a uma piora de quadro com ataque no líquor.
Eu não sabia que isso podia acontecer, mas até gripes, sinusites e afins podem voltar como meningite! Portanto mamães, cuidado sempre. Atenção aos sintomas e rapidez. Quanto mais rápida a identificação, mas eficaz se torna o tratamento e maiores as chances de nada de grave ocorrer.

Graças a Deus estamos em casa, vou solicitar todos os laudos e levar pra médica dele acompanhar e se quiser, pedir mais exames.

Pra mim, ficou aquela sensação de felicidade, vazio, agradecimento, questionamento. Muita pesquisa, muitos porquês, muitos agradecimentos a Deus, e muito momento agarrão com meu pequeno, que é o que mais importa no mundo pra mim.