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sábado, 17 de março de 2012

A escola

Já falei antes em alguns blogs em forma de comentários ou comentando no facebook da blogsfera materna sobre a escola do David e como isso funciona pra nós. Hoje eu senti vontade de falar mais, porque tivemos uma Oficina na sala dele, em que os pais aprendem o que as crianças aprendem.

Resumindo a parte histórica, ele foi para esta escola com 4 meses e meio, quando eu estava me preparando pra voltar ao trabalho, e a escolha pra mim foi super tranquila. Perto de nossa casa haviam 3 indicações. Quando ele tinha 2 meses, eu visitei as 3 e listei prós e contras, incluíndo aí o preço, lógico.

Escolhi por vários motivos, entre eles o carinho das atendentes, higiene, regras (muitas, mas isso é outro assunto) e principalmente a metodologia montessoriana.

Enquanto a data de início se aproximava, eu ficava desesperada olhando o meu pinguinho de gente, lindo e sorridente e chorava rios pensando no nosso afastamento. A adaptação chegou e eu percebi que eu senti muito mais que ele nos primeiros dias. Era super estranho... Chegou o dia do retorno ao trabalho e ele ficou a partir daí 12 horas com aquelas novas tias.

Trimestralmente temos uma reunião sobre o desenvolvimento da criança em que recebemos um relatório personalizado sobre os avanços e conquistas, dentro do método e do geral. E é surpreendente! No berçário ele podia tentar coisas, ou era estimulado a fazer atividades, que eu jamais imaginaria para tal idade em casa. E claro, com o passar do tempo isso sempre aparece em casa!

Quando ele precisou sair de lá para mudarmos para Natal, foi um chororô danado, meu e das atendentes, porque ele não entendia nada!

Em Natal ele ficou um mês em casa comigo, e nunca mais havia ficado. Eu preciso confessar: pirei!! Ele estava com 1 ano e 8 meses e numa casa nova, longe de tudo e todos e longe das nossas coisas. Senti que eu não sabia mais ficar o dia todo com ele, me senti péssima. EU tentei de tudo e via que ele não entendia aquilo. A rotina da escola pra criança que se acostumou a ela cedo, faz uma falta incrível a ela, talvez algumas mães entendam.

E matriculamos ele numa escola perto de casa. Método tradicional, adaptação mais complicada pela idade, mas ele superou.  Em dezembro teve sua primeira apresentação de encerramento e nós papais, babamos e filmamos e etc.

Mas voltamos e eu precisava de novo de uma escola... e por que não a mesma??? Conseguimos uma vaga após um mês na lista de espera e em fevereiro ele já estava re-adaptando. Foi bem tranquilo pela lembrança, mas a sala é diferente, agora tem 2 aninhos, novos amigos e professoras.

E o encontro de hoje era justamente sobre como é esse espaço e como as crianças usam em vida prática.

Uma sala de aula montessori é bem diferente do convencional porque os materiais apresentados estão lá com um propósito de exploração e iniciação na vida prática.

Para crianças desta idade, isso significa aprender coisas como: se vestir, se despir, escovar os dentes, tomar banho, escolher e guardar as roupas, pôr a mesa, se servir, comer sozinho, lavar sua loucinha, organizar seu material, etc... enquanto trabalha materiais da sala de aula. São estimulados a cuidar de outro ser vivo (planta e animal), a limpar o que sujam, a transpor objetos de um recipiente para outro (diversos volumes, quantidades, e níveis de dificuldades), trabalhar partes do corpo, animais, plantas, vegetais, legumes, etc.)

E sim, nós descobrimos que no alto dos 2 anos, nossos bebês estão felizes praticando toda essa independência, e entendendo os limites impostos a ela. Sim, porque não podem fazer tudo! Existem regras. Tudo que é usado, tem motivo e eles seguem em tentativa e erro no ambiente controlado até a segurança da ação.

Além disso, são trabalhados, o silêncio, a consciência corporal e a empatia. São sempre estimulados a usar de cordialidade, ceder a vez, e usar as palavras mágicas. Tudo isso também transparece nos pais e nos filhos depois de pouco tempo de convívio.

Nesta fase egocêntrica dos 2 anos, em uma festinha de um dos amigos de turma, diversas crianças disputavam o mesmo brinquedo e todos os pais incentivavam o filho a ceder a vez para o amigo, chegando ao ponto do brinquedo ficar livre!!
Muitas vezes em casa, por segurança ou comodidade, impedimos nossos pequenos de realizar diversas atividades e foi muito bom perceber o quanto já posso caminhar com ele. Ao mesmo tempo aprendemos que os movimentos e tom de voz das professoras são sempre baixos e lentos, para que eles consigam entender e acompanhar.

A escola dele é peculiar pelo método pouco utilizado aqui no Rio, mas eu gosto bastante e recomendo.
Para quem quer saber mais sobre o método, segue o link da Organização no Brasil, com explicações e listas de escolas em todo o país: www.omb.org.br/

E como você escolheu a escola dos seus filhos? Como ela funciona ??

Um beijo.